A RAÇA GUZERÁ
A
raça Guzerá equivale na Índia à Kankrej. Desenhos e esculturas
de bovinos, com mais de 5000 anos, encontrados nas escavações
de Mohenjodaro, indicam que este tipo de gado já existia desde
então. O Kankrej é criado principalmente na região de Gujarat
(Joshi e Philips, 1954), em terras baixas e secas, em geral de
solos arenosos, sem árvores. As chuvas (médias anuais entre 500
- 700 mm) se concentram entre julho e outubro e a temperatura
varia de 5º C a 50º C. Assim, a rusticidade do Guzerá foi desenvolvida
ao longo dos séculos nas condições adversas de sua região de origem,
o que favoreceu grande adaptação a outras regiões sub-ótimas do
mundo.
Na Índia, a raça é utilizada
para produção de leite e tração, e é tida entre as mais leiteiras
do país. Por motivos religiosos, a produção de carne não é explorada.
Entretanto, a seleção para o trabalho produziu animais de grande
porte e musculatura desenvolvida.
No Brasil, o Guzerá veio
com as primeiras importações de zebu, em torno de 1870, e revelou
sua alta capacidade de adaptação e produção de carne e leite.
Foi a raça predominante até os anos 30, quando a maior parte dos
rebanhos puros foi cruzada para a formação do Indubrasil. Dada
sua grande versatilidade de produção e capacidade de imprimir
vigor e rusticidade, tem sido intensamente utilizada em cruzamentos.
Além do Indubrasil, entrou na formação de diversos grupamentos
leiteiros, de corte ou de dupla aptidão, como Tabapuã, Brahman,
Pitangueiras, Guzolanda, Guzonel, Simbrasil, etc. O uso intenso
prejudicou o crescimento numérico da raça pura, que agora apresenta
nova expansão.